Educomunicadores: Janusz Korczak, defensor das crianças e mártir da educomunicação

Janusz Korczak

Janusz Korczak (1878-1942), polonês de origem judaica, médico, especialista em pediatria, escritor e professor. Descrito como um pioneiro do Jornal Escolar,  ao lado de Célestin Freinet.

“Tanto Freinet quanto Korczak apostaram no jornal impresso como aliado indispensável no processo educacional. Ambos colocaram em prática seus métodos de trabalho na Europa do início do século XX, a partir da insatisfação com o sistema formal de ensino — considerado arcaico e cerceador da liberdade por ambos. Freinet e Korczak percebiam que as crianças e os adolescentes tinham necessidade de expressar suas idéias, e quando o faziam apresentavam considerável melhora no rendimento escolar. A introdução do jornal impresso no âmbito das salas de aula foi a solução encontrada para dar vazão à criatividade dos alunos. E os resultados mostraram o acerto da decisão” (Sobreiro)

Batizado Henryk Goldszmit, adotou o nome Janusz Korczak por causa de um romance polonês lido na adolescência, pseudônimo que usou primeiro para assinar obras literárias. Em 1910 fundou o orfanato Dom Sierot (A Casa dos Órfãos) na Varsóvia. Após a 1ª Guerra Mundial transformou o espaço do orfanato numa república, onde as crianças tomavam todas as decisões coletivamente. Ferramentas como Código Moral, Conselho Jurídico,  Cooperativa, Poupança, Empréstimo, Tribunal e o Jornal  Impresso, com textos produzidos por eles mesmos, eram utilizadas pelos alunos na organização de suas atividades. A repercussão foi tão positiva que uma revista local (Nasz Przegrad – Nossa Revista) produziu uma edição infantil organizada por Korczak que recebia contribuições de crianças de toda a Polônia. Detalhe: As colaborações eram remuneradas. Korczak também tinha um programa de rádio, “O velho doutor conversa com vocês”, educativo e bem humorado.

O respeito pelos direitos da criança e a busca por uma educação promotora da autonomia do estudante foram constantes em sua atuação profissional e divulgados em sua obra literária, onde se destaca o romance Quando eu voltar a ser criança.

Na obra Como amar uma criança. (original de 1915, publicado no Brasil pela Paz e Terra, 1997) Korczak disse que “Os cursos de jornalismo pedagógico poderão talvez, num futuro próximo, ser inseridos no programa de ensino nas escolas para professores”. O que ele chama de jornalismo pedagógico é essencialmente uma das áreas de intervenção da Educomunicação.

Além de pioneiro do que podemos chamar de educomunicador, Janusz também pode ser considerado mártir da Educomunicação. Mesmo tendo a chance de fugir, preferiu acompanhar as crianças do orfanato e foi com elas assassinado durante a 2ª Guerra Mundial. Esta história é contada no filme As 200 crianças do Dr. Korczak (1990) de  Andrzej Wajda.

Os exemplos de Janusz mostram a Educação como uma opção ética radical e a Gestão Democrática e a Comunicação como partes essenciais do processo de aprendizagem.

Deixe um comentário

Arquivado em Educomunicadores

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s