Educomunicação

Perfil do novo profissional

O educomunicador será preparado para aproximar seu perfil ao de um gestor de comunicação no espaço educativo. Um profissional que conhece suficientemente, de um lado, as teorias e práticas da educação, e, de outro, os modelos e procedimentos que envolvem o mundo da produção midiática e do uso das tecnologias, de forma a exercer atividades de caráter transdisciplinar, tanto na docência quanto na coordenação de trabalhos de campo, na interface comunicação/educação.

Nos dois casos, espera-se deste profissional a habilidade para gestionar conflitos e a criatividade para encontrar soluções que melhorem os processos educativos, sejam os formais (escolares) quanto os não formais (desenvolvidos pelas organizações sociais) e, finalmente, os informais (implementados pelos meios de comunicação voltados para a educação e cultura).

Professor de Comunicação

O espaço de atuação de um professor licenciado para a área da comunicação passou a existir com a reformulação do ensino médio, no final dos anos 90, quando as normas que aplicaram a LDB passaram a sugerir que os currículos abandonassem a tradicional estrutura fragmentada de estudo, por disciplinas isoladas, e adotassem um visão mais interdisciplinar, a partir de áreas do conhecimento.

Uma dessas áreas direcionava-se às linguagens e suas tecnologias, incluindo as diferentes formas de comunicação e de expressão. No caso, praticamente um terço do ensino médio poderia voltar-sse tanto para a língua portuguesa e línguas estrangeiras quanto para todas as demais formas de expressão, incluindo aquelas possibilitadas pelos novos recursos da informação. No caso do ensino das línguas (portuguesa e estrangeiras) já existe a previsão de professor especialista. A Licenciatura em Educomunicação vem justamente suprir as necessidades do sistema de ensino no âmbito dos trabalhos relacionados às “demais formas de expressão”.

Atuação no Ensino Médio

Justamente neste momento, o MEC se mobiliza em torno de uma reforma do ensino médio que atenda as necessidades de formação do jovem brasileiro. Pesquisas apontam que apenas 13% dos estudantes que concluem o ensino médio passam ao ensino superior. No entanto, durante décadas, todos os estudantes, independentemente de seu destino após segundo grau, têm sido conduzidos a cumprir uma rotina de aprendizagem que, no imaginário dos jovens e de suas famílias, tem como meta dar respostas rápidas a certas a questões específicas de determinadas áreas do conhecimento propostas pelos exames vestibulares. Este modelo de vestibular, em vigência por décadas seguidas, acabou, em consequência, por naturalizar e legitimar a fragmentação do ensino em conteúdos estanques.

O que o governo pretende, hoje, é justamente promover uma mudança nessa mentalidade, favorecendo, em última instância, a busca por caminhos transdisciplinares, permitindo um contato mais íntimo com a cultura local e as diferentes formas de expressão, preparando os estudantes do ensino médio para um diálogo mais próximo com a empregabilidade e a prática da cidadania.

As experiências que vêm sendo promovidas, no Brasil, especialmente as que fazem uso das novas tecnologias, acabaram inspirando a nova proposta da ECA-USP, garantem que o perfil do educomunicador se ajusta à do profissional chamado a colaborar com este processo de mudança.

É preciso lembrar, ainda, que o potencial para atuação do novo licenciado existe independentemente da reforma pretendida. É preciso lembrar que o ensino médio integral, uma realidade em expansão, exige profissionais em condições de atender à diversidade de atividades requeridas. Nem mesmo deve ser esquecido o ensino médio profissionalizante que apresenta-se, hoje, como um espaço absolutamente aberto ao estudo e à prática da comunicação no espaço escolar.

Pedagogia de projetos

Um das áreas de atuação do novo profissional situa-se na essessoria para o desenvolvimento dos projetos com o uso das tecnologias midiáticas que se multiplicam, especialmente nas experiências dos ensinos infantil e fundamental, em todo o país. Recentemente, a imprensa noticiou que a EMEI Antônio Munhoz Bonilha, de ensino infantil, na Vila Mirante, vinculada à rede municipal de educação de São Paulo, inaugurou a primeira rádio mirim do Brasil, a Rádio Jacaré FM. A professora Ana Paula Emilio Escudeiro, responsável pela rádio, conta que na prática as crianças fazem uma lista de sugestões de pauta e elegem as prioridades. Com o microfone conectado ao computador da escola, fazem as gravações das matérias. Depois, as crianças ouvem e falam sobre o que não gostaram e sobre o que gostariam que permanecesse. Todas as etapas de gravação e edição são feitas com a participação dos alunos. Ao lado delas, contudo, está sempre um educomunicador formado nos programas de aperfeiçoamento da própria prefeitura, iniciados em 2001, com o Educom.rádio, oferecido pela USP.

Na Campus Party de 2010, igualmente em São Paulo, a presença de adolescentes do ensino fundamental entrevistando especialistas e autoridades, entre as quais o cantor Gilberto Gil, editando, em seguida, programas em suas web-rádios ou produzindo notas para blogs, fazia parte do cenário da grande feira-congresso sobre o uso das tecnologias em espaços culturais. Ao lado de cada grupo, um educomunicador fazia-se presente.

Como em São Paulo, os sistemas de ensino de todo o país vêm preparando seus especialistas em educomunicação através de cursos de aperfeiçoamento ou mesmo de especialização, como o Mídia na Educação, curso a distância, do próprio MEC, atendendo, no momento, mais de 50 mil profissionais em todo o país. Aliás, o Núcleo de Comunicação e Educação da USP, responsável pela implantação do Mídias no Estado de são Paulo, emprega educomunicadores tanto na produção de conteúdos quanto no atendimento aos cursistas.

Consultoria a projetos no terceiro setor

No âmbito da consultoria, o educomunicador exercerá função de analista e assessor de organizações do terceiro setor, de veículos de comunicação, de empresas, de estabelecimentos de ensino e de organismos públicos, no planejamento e implementação de projetos na interface comunicação/educação. ). Pois bem, uma quantidade crescente de iniciativas está à espera de especialistas na inter-relação comunicação/ tecnologia/ educação. Espaços para o educomunicador, como consultor ou gestor destes projetos, não faltam.

Na verdade, cada vez mais, organizações privadas, impulsionadas pelo conceito da responsabilidade social, aproximam-se do mundo infanto-juvenil, como projetos de prestação de serviços na área da redução da violência, da formação para a cidadania e da empregabilidade, incentivando programas voltados à alfabetização midiática e ao uso das tecnologias para ampliar a mobilidade da nova geração frente a um mundo cada vez mais competitivo.

Exemplos conhecidos foram os desenvolvidos em todo o país, nos anos 90, do Instituto Airton Sena, sob a bandeira da “educação pela mídia”. No momento, uma associação de ONGs tem na educomunicação seu referencial teórico-metodológico. Trata-se das instituições vinculadas à Rede CEP- Comunicação, Educação e Participação (www.redecep.org.br). Pois bem, uma quantidade crescente de iniciativas está à espera de especialistas na inter-relação comunicação/ tecnologia/ educação. Espaços para o educomunicador, como consultor ou gestor destes projetos, não faltam.

Atuação na Mídia

Um dos campos mais promissores de atuação para o novo profissional é a própria mídia, incluindo, neste espaço, os veículos impressos e as emissoras de rádio e de TV com programas e projetos voltados para a educação. O educomunicador não substitui os tradicionais profissionais da comunicação, mas agrega valor às equipes por seus conhecimentos específicos sobre a natueza da inter-relação comunicação/educação. Outro campo de trabalho promissor é representado pelos centros independentes de produção midiática e pelas universidades e empresas que dão suporte aos projetos de educação a distância.

Entre as experiências educomunicativas bem sucedidas, na fase que precedeu o lançamento da licenciatura, encontra-se a produção, por educomunicadores do NCE- USP, de 80 edições consecutivas da página “Pais e Mestres”, distribuidas, aos domingos, pelo Jornal da Tarde, em São Paulo. No caso das TVs educativas ou culturais, a área de trabalho para o novo profissional passa a ser reconhecida por gestores como Lúcia Araújo, gerente do Canal Futura que, em entrevista recente, declarou que a emissora tem planos de aproveitamento imediato de educomunicadores para reforçar seu quadro de atuação na sua relação com a sociedade e o sistema educativo do país.

Ingresso no curso

Por tratar-se de uma nova carreira, entre as 200 que a USP já oferece, a admissão de dá exclusivamente através do vestibular, via FUVEST. O caminho da graduação não é, contudo, o único. Por tratar-se de uma área profissional absolutamente nova, é necessário prever-se outras modalidades mais rápidas de formação, como os cursos de atualização e de especialização. Na verdade, não existe unanimidade entre os envolvidos com a área sobre a oportunidade da multiplicação de cursos de graduação neste campo, levando em conta a especificidade da formação a ser ministrada. Estes especialistas esperam pela avaliação dos resultados da experiência a ser iniciada pela USP.

Fonte: http://www.cca.eca.usp.br/educom

Uma resposta para “Educomunicação

  1. Luana Picanço

    Excelente iniciativa. Sou de Macapá-AP, e trabalho com projetos educomunicativos,em especial rádio escolas. Pretendo em breve cursar Educomunicação na USP para buscar aperfeiçoamento nessa área para atuar em meu Estado. Parabéns! Este agora será meu canal de informações.

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