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Sobre ekalafabio

Professor de língua portuguesa, diretor de escola pública, educomunicador e tutor online. Adoro música, quadrinhos, literatura em geral e tecnologia. Amo minha esposa Carla e minha filha Elisa. Meu segundo blog na rede ainda está ativo: http://ekalafabio.blogspot.com.br/ E continua em http://ekalafabio.wordpress.com O primeiro era no sistema blogger e sumiu.

Os números de 2014

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um comboio do metrô de Nova Iorque transporta 1.200 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 7.900 vezes em 2014. Se fosse um comboio, eram precisas 7 viagens para que toda gente o visitasse.

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Educomunicadores: Gracia Lopes e o Cala Boca Já Morreu

Gracia Lopes

Grácia. Imagem retirada do site https://www.institutoclaro.org.br/em-pauta/ds/

O começo da história do Educom no Brasil. Ouvi uma pequena parte numa conversa via HANGOUT DO GOOGLE com a professora Grácia Lopes Lima dia 06/12/2013. Grácia, além de professora de Língua Portuguesa, é psicopedagoga clínica, mestra em Ciências da Comunicação e doutora em Educação.

O Projeto EDUCOM.Radio Educomunicação nas Ondas do Rádio surgiu como parte do  Projeto Vida da Prefeitura de São Paulo, coordenado pela professora Dirce Gomes, desenvolvido em 2001 para combater a violência nas escolas. Era um curso coordenado pelo professor Ismar de Oliveira Soares do Núcleo de Comunicação e Educação NCE da ECA / USP. Neste curso, alunos, professores e comunidade aprenderam a usar o rádio e recursos de comunicação na escola, para discutir os mais variados assuntos e promover a paz no ambiente escolar.

Mas talvez o começo esteja um pouco mais para trás… Talvez com a fundação do NCE em 1996, quando um grupo de professores de várias universidades brasileiras interessados na inter-relação entre comunicação e educação resolveram pesquisar esta interface em 12 países da América Latina. Voltaremos a esta parte da história num seguinte post/artigo sobre o professor Ismar.

Na verdade parte desta história de origem começa em 1995, quando o Instituto Gens, empresa de assessoria e consultoria em Educação e Comunicação fundada em 1988 pela Grácia e o filósofo Donizete Soares, fez uma parceria com a Rádio Cidadã, uma emissora comunitária do bairro Butantã em São Paulo. Neste projeto foram produzidos programas de rádio com um grupo de crianças, 10 meninos e meninas, de várias escolas. Nas palavras da Grácia: “Esse grupo de crianças fazia entrevistas entre si, entrevistas com ouvintes que ligavam para a emissora e gradativamente começavam a fazer entrevistas com especialistas das mais diversas áreas: da política, da saúde, da cultura em geral; eles acabaram dando entrevistas para os meninos. Então devagarinho esses meninos passaram a conseguir conversar sem ter texto decorado, com especialistas. E em menos de seis meses o projeto acabou se configurando e sendo conhecido por toda mídia, que ficou surpresa de ver a capacidade de um grupo de meninos leigos, entre sete e doze anos, darem conta de todas as esferas de um programa de rádio (…)

Desta semente surgiu a ONG Projeto Cala-Boca Já Morreu. Em 1997 Grácia conheceu o professor Ismar e em 2001 estava como mestranda na ECA, com sua orientação. É nesta época que Patrícia Horta, integrante do NCE, sugeriu o uso do rádio como proposta para combater a violência, junto ao Projeto Vida. Com sua experiência do Cala-Boca, Grácia foi chamada a formatar a proposta e ser uma das coordenadoras.  O Secretário de Educação Fernando de Almeida e a Prefeita Marta aceitaram a proposta, que foi ofertada como curso para cerca de 12 mil participantes. Uma grande novidade deste curso é que ele não era apenas para funcionários, se estendendo também para alunos e comunidade escolar. Na época, 244 escolas da prefeitura de São Paulo receberam os Kits de Rádio.

Como herança deste projeto, surgiu o Programa Nas Ondas do Rádio.

Ismar e Gracia no principio do educom. Jornal Estadão 2001

Ismar e Gracia no principio do educom. Jornal Estadão 2001

O Projeto Cala-boca já morreu – porque nós também temos o que dizer! ou CBJM continuou crescendo e continuou trabalhando com rádio escolar, além de também investir em outras produções midiáticas feitas por crianças. Um destaque é seu canal de vídeo no Youtube.

Como este artigo acabou falando muito sobre o Educom, por ser meu foco de interesse, e pouco sobre o CBJM, indico esta entrevista onde Grácia fala mais sobre: http://www.ciranda.net/article6205.html?lang=pt_br 
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E aproveito para contar aos colegas que estudam Educomunicação que o CBJM tem um trabalho pioneiro com rádio, óbvia inspiração para o Educom da Prefeitura de São Paulo, e é reconhecido como referência em Educomunicação. Diferente do prof. Ismar, Grácia não reconhece a educomunicação como um novo campo de conhecimento, mas sim como  sinônimo de educação pelos meios de comunicação (no link, tese de doutorado da Grácia). Na minha visão, uma discordância conceitual que de maneira alguma torna a proposta educomunicativa do CBJM incompatível com o que estudamos nos cursos Licenciatura ou Especialização em Educomunicaçao ou o antigo curso Gestão da Comunicação da ECA.
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O vídeo abaixo, produzido por alunos de comunicação da Faculdade Metodista, conta um pouco da história da Educomunicação dando grande destaque para o CBJM. Há depoimentos da Grácia e imagens de Mariana Kz, ainda criança, no primeiro programa da Rádio Cala-Boca Já Morreu. Mariana continuou no projeto desde 1995 e se graduou em Audiovisual pela ECA / USP.

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Memórias Ecanas: Ferdinando Martins

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Educomunicadores: Marcelo Santos e a TV Cedro Rosana

Quando fui chamado a trabalhar o uso de vídeo em projetos de aprendizagem, num curso para professores de Ensino Fundamental no município de Americana / SP (Curso de Formação em Educação Ambiental e Políticas Públicas), pensei na grande experiência queMarcelo Augusto Pereira dos Santos possui e ele aceitou o convite para participar de uma das aulas.

Marcelo começou a se aproximar da educomunicação quando se tornou POIE (Orientador de Informática Educativa) nas EMEIS (escolas de educação infantil) Eunice dos Santos e Antonio Munhoz Bonilha. Manteve o blog https://apertaqual.wordpress.com/ com relatos de aulas e dicas de atividades. A partir das experiências como POIE, criou  o site Apertaqual Educação, concretizando seu antigo sonho de compartilhar softwares educativos que desenvolveu (ApertaLetra, ApertaQuem, ApertaEmpresta).

Na escola Bonilha ele ajudou a professora Ana Paula Escudeiro no projeto Rádio Jacaré FM (ver post anterior nesta série Educomunicadores). Inspirado nesta experiência e na Rádio Graciosa, da EMEF Fernando Gracioso, projeto do Programa Nas Ondas do Rádio, desenvolveu na escola Eunice o projeto TV Cedro Rosa em que grupos de alunos com menos de 6 anos produziam reportagens – documentários sobre locais interessantes para serem visitados pelas crianças, seja com a escola, seja acompanhados por seus pais. Um dos grandes feitos de uma destas equipes (eram várias) foi entrevistar o mestre de xadrez Kasparov. O vídeo final do projeto é um resumo bem interessante, que da uma ideia de como funcionava a proposta e o quanto era realmente educomunicativa.

O interesse de Marcelo pelo conceito educomunicação o levou a estudar o tema, sendo aluno da primeira turma oficial de Especialização Lato Sensu em Educomunicação na ECA / USP. Como trabalho final neste curso, ele pesquisou as experiências de educomunicação desenvolvidas em escolas infantis da Prefeitura de São Paulo. Sua monografia, Cuidar, Educar e Comunicar https://tvcedrorosa.wordpress.com/pesquisa/ foi defendida dia 05/07/2013 lhe conferindo o título de Especialista em Educomunicação.

Quando escrevi esse pequeno artigo Marcelo estava como Coordenador de Ação Educacional no CEU Parque Anhanguera, hoje não mais funcionário direto da Prefeitura de São Paulo está atuando como tutor presencial da UNICEU Parque Anhanguera e formador de professores em escolas particulares, sempre buscando ampliar a presença da educomunicação nas várias redes educacionais.

Brinquedoteca USP from TV Cedro Rosa on Vimeo.

PROJETOS DE EDUCOMUNICAÇÃO INFANTIL PESQUISADOS POR MARCELO SANTOS

Rádio Jacaré FM

Tem Gato na Tuba

Pingo de Gente

Os Pequenos Nos Curtas

Jornal Mural no CEI

Rádio Blog EMEI Kids

Recomendo muito que os colegas acessem a pesquisa na íntegra, disponível no link

https://tvcedrorosa.wordpress.com/pesquisa/

Neste site também esta disponível um artigo resumido e entrevistas feitas por Marcelo com Carlos Lima, coordenador do Programa Nas Ondas do Rádio, e prof. Ismar de Oliveira Soares, coordenador do Núcleo de Comunicação eEducação, da ECA-USP e presidente da ABPEducom

E no livro Narrativas de Experiencias Docentes também há um artigo de Marcelo relatando o Projeto Cedro Rosa:

http://editora.metodista.br/livros-gratis/narrativas.pdf/at_download/file

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Educomunicadores: Ana Paula Escudeiro e a Rádio Jacaré FM

E tudo começou com brincadeira e curiosidade.

Uma das áreas de atuação do novo profissional situa-se na assessoria para o desenvolvimento dos projetos com o uso das tecnologias midiáticas que se multiplicam, especialmente nas experiências dos ensinos infantil e fundamental, em todo o país*

Há muitas propostas educativas  ou comunicativas que podemos considerar educomunicativas desenvolvidas com crianças, mas ainda nos impressiona descobrir projetos com crianças realmente muito pequenas, estudantes da Educação Infantil (menos de 6 anos de idade). A Rádio Jacaré FM da EMEI Antônio Munhoz Bonilha é considerado o primeiro projeto educomunicativo de rádio escolar com esta faixa de idade. Iniciativa da professora Ana Paula Emilio Escudeiro. Em depoimento no V Encontro de Educomunicação (2013) ela disse que a ideia da rádio surgiu de forma espontânea, e ela nem sabia dizer com certeza se havia partido dos próprios alunos ou dela na interação com sua turma – Eles estavam pesquisando o tema “jacaré”, devido a uma visita feita ao Zoológico; várias pesquisas e atividades foram produzidas pelas crianças e tiveram a feliz ideia de divulgar e registrar este estudo num programa de rádio.

Na época, Ana Paula havia participado de um curso de formação promovido pelo Programa Nas Ondas do Rádio da Prefeitura de São Paulo e aprendido a usar softwares como o Audacity e o Zararádio. Com ajuda do professor Marcelo Santos (impossível para mim falar sobre Ana Paula, sem falar também sobre Marcelo), que na época era POIE (orientador de informática educativa) na escola, a proposta cresceu e a rádio acabou sendo oficialmente inaugurada dia 14 de novembro de 2009, com toda a pompa, numa Mostra Cultural da escola, que contou com a presença do Secretário de Educação Alexandre Schneider , o Prefeito Kassab e cobertura jornalistica feita por alunos de ensino fundamental, do projeto educomunicativo Rádio Graciosa de Perus, que eu coordenava.

Na mesma época, como um  Zeitgeist, surgiram outros projetos educomunicativos mirins. No post seguinte a este, sobre o colega Marcelo Santos, cito alguns destes projetos que ele pesquisou.

Primeira Emissão da Radio Jacaré  FM -EMEI Antonio Munhoz Matéria da TV Cultura sobre Rádio Jacaré FM Rádio Jacaré FM na Campus Party 2010 A relevância da inovadora proposta da professora Ana Paula chamou atenção da mídia e também do meio acadêmico. O professor e diretor de escola Jayson Magno da Silva usou a EMEI Antonio Munhoz Bonilha num estudo de caso que resultou na sua dissertação de Mestrado: O Som da Integração das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação ao Currículo: a rádio na internet. Voz, Poder & Aprendizagem

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Educomunicadores: Poster para V Encontro de Educomunicação 2013

Poster para V Encontro Educom 2013

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Educomunicadores: Janusz Korczak, defensor das crianças e mártir da educomunicação

Janusz Korczak

Janusz Korczak (1878-1942), polonês de origem judaica, médico, especialista em pediatria, escritor e professor. Descrito como um pioneiro do Jornal Escolar,  ao lado de Célestin Freinet.

“Tanto Freinet quanto Korczak apostaram no jornal impresso como aliado indispensável no processo educacional. Ambos colocaram em prática seus métodos de trabalho na Europa do início do século XX, a partir da insatisfação com o sistema formal de ensino — considerado arcaico e cerceador da liberdade por ambos. Freinet e Korczak percebiam que as crianças e os adolescentes tinham necessidade de expressar suas idéias, e quando o faziam apresentavam considerável melhora no rendimento escolar. A introdução do jornal impresso no âmbito das salas de aula foi a solução encontrada para dar vazão à criatividade dos alunos. E os resultados mostraram o acerto da decisão” (Sobreiro)

Batizado Henryk Goldszmit, adotou o nome Janusz Korczak por causa de um romance polonês lido na adolescência, pseudônimo que usou primeiro para assinar obras literárias. Em 1910 fundou o orfanato Dom Sierot (A Casa dos Órfãos) na Varsóvia. Após a 1ª Guerra Mundial transformou o espaço do orfanato numa república, onde as crianças tomavam todas as decisões coletivamente. Ferramentas como Código Moral, Conselho Jurídico,  Cooperativa, Poupança, Empréstimo, Tribunal e o Jornal  Impresso, com textos produzidos por eles mesmos, eram utilizadas pelos alunos na organização de suas atividades. A repercussão foi tão positiva que uma revista local (Nasz Przegrad – Nossa Revista) produziu uma edição infantil organizada por Korczak que recebia contribuições de crianças de toda a Polônia. Detalhe: As colaborações eram remuneradas. Korczak também tinha um programa de rádio, “O velho doutor conversa com vocês”, educativo e bem humorado.

O respeito pelos direitos da criança e a busca por uma educação promotora da autonomia do estudante foram constantes em sua atuação profissional e divulgados em sua obra literária, onde se destaca o romance Quando eu voltar a ser criança.

Na obra Como amar uma criança. (original de 1915, publicado no Brasil pela Paz e Terra, 1997) Korczak disse que “Os cursos de jornalismo pedagógico poderão talvez, num futuro próximo, ser inseridos no programa de ensino nas escolas para professores”. O que ele chama de jornalismo pedagógico é essencialmente uma das áreas de intervenção da Educomunicação.

Além de pioneiro do que podemos chamar de educomunicador, Janusz também pode ser considerado mártir da Educomunicação. Mesmo tendo a chance de fugir, preferiu acompanhar as crianças do orfanato e foi com elas assassinado durante a 2ª Guerra Mundial. Esta história é contada no filme As 200 crianças do Dr. Korczak (1990) de  Andrzej Wajda.

Os exemplos de Janusz mostram a Educação como uma opção ética radical e a Gestão Democrática e a Comunicação como partes essenciais do processo de aprendizagem.

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