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Educomunicadores: José Soró e Comunidade Cultural Quilombaque

José Queiroz, 48 anos em 2012, conhecido por Soró, é consultor de desenvolvimento institucional, já tendo participado de projetos educacionais para adolescentes, usando a arte contra a violência. O grupo Quilombaque foi formado em 2005 pelos irmãos Dedê, Clevinho e Fofão, e quando Soró encontrou o grupo em 2007: “Aderi imediatamente. Eles possuíam um senso de autonomia, de conhecimento de suas raízes, forte sentimento de identidade, criativos, com uma impressionante capacidade gregária. E a surpresa, apesar de mal saberem, a Firmeza Permanente dos Queixadas, ali, vivas. Um original quilombo urbano. O orgasmo do Paulo Freire”  (SORÓ, em depoimento escrito que pode ser lido na íntegra aqui)

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Preocupado em garantir a sustentabilidade da proposta dos jovens, organizou o grupo para responder às exigências institucionais e buscar financiamentos no poder público. Hoje o Quilombaque é muito maior, agregando centenas de jovens participantes de vários grupos, envolvidos em projetos de intervenção urbana usando a arte, teatro, saraus, educação ambiental e resgate da memória do bairro, com destaque especial para a luta sindical dos Queixadas e a transformação da abandonada Fábrica de Cimento Portland de Perus num Centro Cultural do Trabalhador.

Descubra mais sobre a Comunidade Quilombaque:

http://aodcnoticias.blogspot.com.br/2012/09/quilombaque-arte-de-resistir-comemora.html

http://comunidadequilombaque.blogspot.com.br/2009/09/mapeamento-perus-e-regiao.html

http://www.ruafotocoletivo.com/blog/2015/9/29/quilombaque-10-anos-de-resistncia-2 Reportagem muito completa, escrita pela colega Jéssica Moreira.

No vídeo abaixo Soró fala sobre a Fábrica de Cimento Portland de Perus

E nesta retrospectiva vemos um pouco das realizações da Comunidade Cultural Quilombaque. Na trilha sonora, Cordel do Fogo Encantado:

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Educomunicadores: Mauro e o Mutirão Cultural Imargem do Grajaú

Imargem Teaser from Irene Tobón on Vimeo.

Tal como Kaplún, o artista plástico Mauro Sérgio Neri da Silva (nascido em 1981) gosta dos neologismos juntando termos que se relacionam de forma sutil. Imagens da Margem deu o projeto “Imargem”. Uma intervenção para grafitar e embelezar uma comunidade é chamada de” ManiFestão”. Tudo ação dos Agentes Marginais, com a palavra “marginal” também cheia de sentidos, estando na periferia, na margem do sistema e próximos da represa. Um nome que representa vários grupos de artistas e ativistas da região de Grajaú, zona sul de São Paulo.

Alguns interpretam o grafite como uma arte reacionária, que em vez de esperar pacificamente ser buscada nos museus e livros, se oferece obrigatoriamente nos espaços. Invade os muros. A proposta do projeto Imargem esta bem longe desta violência. Aliás, apresenta-se como diálogo com as comunidades, e por isso, pode ser considerada educomunicativa. Além de levar beleza grátis para as pessoas das ruas e das comunidades, seus grafite e esculturas buscam resgatar memórias do espaço e disseminar mensagens educativas, principalmente sobre ecologia e meio ambiente.

O professor Ismar de Oliveira Soares identifica algumas “áreas de intervenção” para a prática educomunicativa: educação para a comunicação; mediação tecnológica nos espaços educativos; pedagogia da comunicação, gestão da comunicação nos espaços educativos, reflexão epistemológica e expressão comunicativa através das artes. Nesta sexta área de intervenção, estáa totalmente inserida a proposta do coletivo Imargem.

Outro critério totalmente educomunicativo atendido pelo projeto Imargem: “multiplicação dos agentes culturais” (expressão usada no vídeo teaser do projeto, que vemos acima). Além de dialogar,  promove a formação de outros  artistas e outros grupos de intervenção usando as ideias de arte, estética, intervenção, convivência, cultura, comunicação, educação, sustentabilidade, economia, preservação, memória e ecologia.

No vídeo citado, há o depoimento de um jovem que aprendeu técnicas para fazer esculturas usando o barro da margem da represa Billings. Claro que técnica é importante, já dizia Kaplún. Mas mais importante é  esse tipo de mobilização social, que o artista Mauro propõe. Por isso, ele e seus companheiros do projeto Imargem são educomunicadores e formam educomunicadores.

Alguns participantes do Imargem possuem outras funções sociais, fazendo praticamente um trabalho voluntário no grupo. O próprio Mauro, que criou o projeto, é também professor de artes. Mas parte realmente sobrevive de sua arte, conseguindo verbas de editais públicos, como o VAI da Prefeitura de São Paulo e leis de fomento federais. Assim, conhecimento sobre editais, leis e captação de recursos também são competências exigidas do educomunicador, ou é preciso contar com a assessoria de pessoas que tenham este conhecimento, para garantir a sustentabilidade econômica do coletivo.

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