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Carta aberta dos Alunos da Licenciatura em Educomunicação sobre os recentes acontecimentos na USP, em relação à PM, ocupação e segurança no campus da capital.

Na última segunda feira, dia 31 de Outubro, nós da turma do curso de Licenciatura em Educomunicação nos reunimos para debater sobre a atual polêmica instaurada no Campus da USP da Cidade Universitária, especialmente em relação às questões que abordam a presença da PM no Campus.

Reconhecemos que a segurança é uma necessidade em qualquer local da cidade de São Paulo, porém nos preocupamos com a forma e o tratamento com que essa questão vêm sendo, ou melhor não sendo, discutida com a comunidade. E ainda a forma e estratégias que a própria sociedade tem proposto para a mitigação deste problema, comum a todos os cidadãos que dela participam, reconhecendo que a presença da polícia, em qualquer espaço, não é, de fato, solução para a maioria dos casos de violência que acontecem.

Questionamos e não reconhecemos como legítima a decisão do Conselho Gestor da Universidade em assinar um convênio com a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Militar sem antes consultar a opinião daqueles que frequentam este espaço, que é em todas as suas instâncias, público. Reforçamos, ainda, que a maior parte dos que convivem neste espaço são estudantes e que, na maior parte das vezes, ou quase nunca, são ouvidos nas decisões tomadas pelos dirigentes.

Acreditamos que o debate sobre a presença da PM no Campus deve ser levado a sério e deve permitir que todos sejam ouvidos, sejam os que hoje manifestam sua indignição sobre esta presença, seja pelos que apoiam e concordam com esta iniciativa. As vantagens e desvantagens da presença da PM no Campus devem ser discutidas com aqueles que frequentam este espaço, bem como também deve trazer os significados históricos que representam, tanto no passado como para o futuro. Além disto, reconhecemos que ações para a segurança devem também ser discutidas, estabelecendo alternativas concretas para tal e não apenas uma única solução, como se esta fosse soberana para o cumprimento de seus objetivos.

Lembramos, também, que entre os que se dizem contra, e os que se posicionam a favor, há um número expressivo de estudantes que dizem não ter uma opinião formada sobre o assunto, o que nos faz crer que é necessário e urgente um diálogo efetivo para o entendimento desta questão e para uma tomada de decisão que realmente esteja preocupada com a segurança e o bem-estar de todos que convivem neste espaço e, que, reconhecemos também serem responsáveis por este.

Acreditamos que dicotomizar esse debate só faz aumentar a distância deste possível diálogo entre todos: reitoria, instâncias de governança do Campus, funcionários e estudantes.

Reconhecemos, ainda, que a mídia, por sua vez, sem pautar a complexidade dos fatos, reitera esse discurso, mostrando matérias tendenciosas, que em nada acrescentam na formação de uma opinião crítica.

Em relação às ocupações ocorridas dentro do Campus, tanto do prédio administrativo da FFLCH, como da Reitoria, acreditamos que refletem um ideal maior do que vem sendo divulgado em diversos espaços da mídia. Reconhecemos que o que está em questão não é apenas a indignação de uma ação isolada da PM no Campus, e sim um conjunto de arbitrariedades e opressões que vem ocorrendo nas últimas semanas, bem como uma política que vem sendo instaurada pela direção da Universidade, que lembramos ter sido escolhida de forma totalmente anti-democrática.

Além disto, reconhecemos que o papel de todos nós, como estudantes e cidadãos é o de questionar e contribuir para que a vida em comunidade e, portanto, na sociedade, esteja realmente preocupada com todos que dela participam. Assim, reconhecemos que devemos sim, em todas as instâncias, estabelecer espaços democráticos onde possamos questionar, o ensino, a educação, a universidade, os professores, os estudantes, o governo, os meios de comunicação.

Ainda, reconhecemos que a Universidade deve discutir seu papel dentro da sociedade, a forma como ela própria dialóga com a comunidade e de que forma incorpora e se abre para esta, reconhendo que não somos uma ilha intelectual isolada da comunidade. Acreditamos que devemos questionar nosso papel como universidade realmente pública!

Por fim, declaramos aqui que estamos abertos ao diálogo com todos os movimentos que se estabelecem dentro da sociedade e da comunidade universitária, a fim de garantir que possamos construir, de maneira coletiva e democrática, solução e caminhos para os problemas e conflitos vivenciados nos espaços públicos da sociedade.

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